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sábado, 19 de novembro de 2011

Ontem não te vi em Babilónia

Ontem não te vi em Babilónia, de António Lobo Antunes foi o 2º livro que eu li no âmbito da disciplina de Literatura Portuguesa.
Este autor, que cada vez menos se interessa em contar uma história, desenvolve uma escrita complexa, construindo personagens que se debruçam sobre o passado e as suas vidas, em discursos e episódios fragmentados, com pensamentos e frases inacabadas.
O livro trata de brutalidade, dor e morte mas tambem de traumas da sociedade portuguesa, como a repressão e violência durante a ditadura de Salazar.
É muito dificil fazer um resumo da obra pois esta não tem início, meio e fim, não tem um fio condutor. O livro centra-se então em 3 personagens, Ana Emília, Alice e Osvaldo. A obra divide-se em 6 capítulos, intitulados de "Uma da manhã", "duas da manhã", "tres da manhã", "quatro da manhã" e "cinco da manhã". Numa simples noite, pela madrugada adentro, as personagens recordam momentos do passado.
O episódio mais importante de todo o livro é o do suícidio da filha de Ana Emília, que com 15 anos se enforca numa macieira, sendo a sua boneca e as restantes árvores do quintal as unicas testemunhas desta morte.
Ana Emília abre e fecha a narrativa, é amante de Osvaldo, que não a visita mais, e viúva de um colega de Osvaldo, que tinha sido assassinado por este. Ana Emília centra-se no suícidio da sua filha, no assassinato do seu marido e na espera pelo amante nos seus discursos.
Alice, ex-enfermeira que mora em Évora, vive com o seu marido, Osvaldo, e vive perseguida por ter abortado o filho. A figura do berço que apodrece no pátio da casa atormenta-a, assim como a sua infancia pobre e o conhecimento pela amante do seu marido.
Osvaldo fala da sua amante e do suicídio da sua filha, da prisão de Peniche, um espaço onde aconteciam as sessões de tortura de Osvaldo aos presos, dando-lhe prazer. Esta prisão/forte foi erguida sobre rochedos, em frente do mar, e todas as personagens durante a noite escutam as ondas batendo nos rochedos. As 3 vozes da narrativa conhecem as histórias das outras, tendo assim os 3 as vidas entrelaçadas. Os mortos estão tambem muito presentes na narrativa, ressuscitando literáriamente e ganhando voz.
O leitor é desafiado a todo o momento pois não sabemos o que é verdade e o que é mentira.
A certa altura António Lobo Antunes é ficcionado passando de escritor a personagem, e participa na ação do livro, tornando ainda mais dificil perceber o que é real, e o que é ficção.
Ana Emília decide terminar o livro em nome da sua filha dizendo: "Escrevo o fim deste livro em nome da minha filha que não pode escrever".
No final do livro, nada se esclarece, nada fica claro e a ultima frase do livro avisa-nos: "aquilo que escrevo pode ler-se no escuro".

domingo, 23 de outubro de 2011

125 Poemas - Antologia Poética de Joaquim Pessoa

Li a Antologia Poética de Joaquim Pessoa devido a uma certa curiosidade em ler poesia, e por ser um livro que já ha muito queria ler mas nunca tinha lido. 
Apesar de ter poemas um pouco menos interessantes ou digamos assim, bonitos de ler e ouvir, tem muitos outros poemas lindíssimos que nos prendem ao livro por completo e nos fazem querer ler mais e mais, e acabamos assim por mergulhar no livro, tornando-se este um livro bastante fácil de ler.
Joaquim Pessoa nasceu no Barreiro em 22 de fevereiro de 1948. Iniciou a carreira no Suplemento Literário Juvenil, do Diário de Lisboa. O seu primeiro livro veio a público em Março de 1975. Ao último original foi atribuído o Prémio de Poesia de 1981 da Secretária de Estado da Cultura. Segundo o poeta e ensaísta David Mourão Ferreira "o largo sopro de muitos dos seus poemas faz de Joaquim Pessoa um dos poetas progressistas de hoje mais naturalmente de capazes de comunicar com um vasto publico".
Por ultimo, aqui está um poema que eu não li nem referi na apresentação.

Amor Combate

Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.

Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. É sol. É Primavera.
Amor intenso. amor imenso. amor instante.
O nosso amor é uma arma. É uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.

Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.
são a flor do aloendro.

domingo, 9 de outubro de 2011

Cantiga de Amor de Sofia Serra

Como a chuva cai do céu,
Caiu-lhe o coração
E no meio de tanta emoção
Mesmo sem ser amado
Continuava apaixonado

Como a chuva bate no chão,
Bate-lhe o coração,
Doi-lhe o peito com força
Ao pensar naquela mulher,
que o tanto fazia sofrer

Como o vento rouba tudo,
Perdeu sentido o mundo
E tudo o que sentia no fundo.
E pela noite fora sofreu
Ao pensar em tudo o que já viveu.